A origem do Natal

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Há pelo 9000 anos atrás o Homem, nos primórdios da civilização celebrava o solstício de inverno. No hemisfério norte a noite mais longa do ano acontecia no final de dezembro e, depois de ultrapassada, o sol havia de brilhar com mais intensidade e durante mais tempo nos meses que lhe seguiam.

O período mais escuro do ano dava agora lugar a uma bem mais luminoso e todo o mundo renascia. O sol representava a luz e, por conseguinte a luz era sinônimo de vida. Mais um ano terminava. Mais uma vez as trevas dariam lugar à luz. O ser humano estava há pouco tempo a dar os primeiros passos numa nova forma de vida. Na antiga Mesopotâmia assistíamos ao nascimento dos primeiros centros urbanos.

As primeiras comunidades sedentárias estavam dependentes das colheitas num circuíto de agricultura ainda insipiente e rudimentar. A vinda do sol após um período de pouca luz siginificava que o ciclo natural estava a ser cumprido e as colheitas para o ano seguinte estariam asseguradas. Este marco era tão importante que as festividades duravam dias.

Na Europa ocidental os povos primitivos também não deixavam passar a data em branco. Celebravam também a conclusão de mais um ciclo, o encerramento de uma etapa e o surgimento de outra. Monumentos como é o exemplo de stonehenge ou outros mais pequenos espalhados por toda a Europa evidenciam a forma como estes povos viviam intimamente ligados aos ciclos naturais, aos astros e à passagem do tempo.

Na Ásia, por exemplo na China, era altura de celebrar a harmonia da natureza e do homem com a natureza, aceitando a conjugação do bom e do mau, da luz e das trevas, celebrava-se toda esta simbologia através do ying-yang.

No antigo Egito eram prestados cultos ao deus Osíris, um dos deuses mais antigos e mais populares da tradição egípcia. Deus associado à agricultura, à domesticação dos animais e ao sol. Nesta data comemoravam a sua passagem ao mundo dos mortos.

Na antiga Grécia o culto fazia-se a Dionísio, o deus do vinho e desejava-se que o próximo ciclo trouxesse paz e prosperidade. Já mais próximo de nós em data os romanos celebravam a 25 de dezembro o nascimento do deus Mitra, deus da luz, sabedoria, da benevolência e da solidariedade. Era a data mais sagrada do ano, a família estava reunida e faziam troca de presentes. É-nos familiar certo?

A certa altura começa a surgir uma nova religião: o cristianismo. Nos primórdios desta nova crença o nascimento de Jesus não é sequer referência ou é motivo de comemoração. Se atendermos que um santo ou mártir só o é depois da sua morte é essa data que faz sentido lembrar. Mas aí surge um problema, quando o cristianismo entra em Roma era necessário relembrar a sua existência durante as comemorações do solstício. Os líderes religiosos e a igreja precisavam de arranjar algo que conservasse as festividades já existentes mas que levasse em linha o que pregavam.

No ano 221 depois do nascimento de Cristo passa a ser assinalado no dia 25 de dezembro, precisamente a mesma data do deus do sol, Mitra. Sensivelmente dois séculos mais tarde o cristianismo passa a ser a religião oficial de Roma e de todo o império e Jesus substitui o sol como figura central das comemorações. Assim nasce o natal que ainda hoje comemoramos ou pelo menos a ideia inicial destas festividades.

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