Automutilação – “Cutting”

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 A automutilação é uma questão clínica que tem aparecido com frequência nos consultórios dos psicólogos e psicanalistas, assim como nas escolas, especialmente entre os adolescentes. É também um tema tratado pela psiquiatria, de modo que muitas pessoas que machucam o próprio corpo são encaminhadas para tratamento psiquiátrico, frequentemente medicamentoso.

A automutilação é caracterizada pelo comportamento de autodano intencional e sem intenção consciente de suicídio. Permeia todo ciclo vital, sendo mais prevalente na adolescência, principalmente no sexo feminino. É vista como um comportamento de autodestruição oriundo de um desejo de se punir que pode ser inconsciente ou não verbalizado, onde os impulsos agressivos são deslocados do psíquico e inconsciente para o corpo físico e consciente.  O fenômeno está relacionado com mecanismos adaptativos mal elaborados e outras circunstâncias de vida. A automutilação é um comportamento de autodestruição oriundo de um desejo de se punir que pode ser inconsciente e apresenta grande impacto na vida do indivíduo e das pessoas com as quais convive.

Fatores que podem levar a automutilação:  

Entre os fatores desencadeantes da automutilação encontram-se os traumas familiares, como a separação dos pais, angústia, tristeza, alegria, insônia, ansiedade, medo, frustração, sensação de culpa, confusão mental, alucinações, homossexualidade, bissexualidade entre outros.

Deslocamento da dor:

O corpo é usado como instrumento de comunicação com o mundo. Porém, na confusão mental, na falta de palavras que expressem a dor. A pessoa se corta, na tentativa de deslocar a dor da alma, para o corpo. E comunicar ao outro o seu sofrimento.

Isso pode gerar obsessão – pensar no ato para trazer alívio.

Compulsão – realizar o ato para transferir a dor que está escondida sob a pele, comunicar.

É preciso compreender que no comportamento de automutilação está presente o sentimento de culpa e o desejo (inconsciente) de autopunição. 

Como Ajudar:

Ao perceber que a pessoa se corta, é necessário amparo, apesar do estranhamento que isso possa causar. Levar ou indicar um profissional, que posa investigar a causa e a psicodinâmica daquele indivíduo. Bem como ele se relaciona com a família, com amigos, na escola, na sociedade, na vida afetiva em geral.

A automutilação pode estar relacionada a transtornos psicológicos (ansiedade, síndrome do pânico, depressão, etc.)

Tratamento:

Um Psicólogo, irá inicialmente, trabalhar uma tríade: autoconhecimento, autoimagem e autoestima. Fazendo com que a pessoa desvende a si mesmo seus conteúdos internos e secretos, suas subjetividades, suas potencialidades e desenvolva assim a capacidade de lidar com rejeições, frustrações, culpas, medos, vergonhas, etc.

Dicas para evitar que a pessoa se Corte:  

Ao invés de se cortar, corte frutas.

Quebre pequenos galhos ou palitos.

Bata numa almofada.                                             

Soque o colchão.                                                                    

Esmurre um bicho de pelúcia.

Morda gelo.                                               

Massageio o lugar que deseja cortar.

Passe tinta (guache) vermelha com pincel, no lugar em que pretendia cortar.

Pinte ou desenhe em seu corpo com caneta vermelha.

Faça desenhos em sua pele com esmalte vermelho.

Coloque seus pensamentos num diário, escrevendo o que sente e o que deseja fazer.

Rasgue jornais, revistas e papéis.

Tome um banho demorado.

Exercite-se, caminhe, corra, pedale.

Vá pra rua, praia, bosque, sinta-se parte da natureza.

Conte carros (escolha a cor) Ex.: Contar 20 carros brancos.

Cuide de um animal.

Telefone para um amigo ou amiga.

Preste atenção em sua respiração, controle-a.

Conte seus batimentos cardíacos por um minuto, repita a contagem para conferir.

Essas são alternativas, (dentre muitas possibilidades), para você aprender a lidar com a irritação, sentimento de impotência, culpa, irritação, impaciência.

São alternativas, mais saudáveis, para lidar com a dor emocional sem transformá-la em dor física.

Tente!

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