Existe uma filosofia por trás da nossa alimentação e precisamos atentar para isto

"Somos humanos, e desta forma, comer para nós é mais do que apenas obter os macro-nutrientes necessários para estar vivo, é vivenciar toda a experiência do paladar, do olfato, do preparo, do cultivo e da conexão que temos com o meio ambiente e o planeta."

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Muitas vezes não nos damos conta do porquê fazemos algumas coisas, que são para nós tão automáticas e tão naturais que já não consideramos que estas ações mereçam nossa reflexão. Um destes atos quase automáticos é a alimentação. Dificilmente alguém se pergunta o motivo pelo qual optou por ingerir tal alimento que vá além da fome e das preferências do paladar. Mas sim, é muito mais do que apenas o que lhe apetece.

No mundo da culinária, há fatores sociais, culturais e de pensamento que motivam cada escolha, cada sabor, cada tempero e a quantidade de calorias daquele prato. Na nossa alimentação está embutida a nossa humanidade, as questões que têm que ver com a família, criação, sustentabilidade, nossa relação com o meio ambiente, com as pessoas, com o nosso corpo e a nossa filosofia de vida. Por isso muitos dizem que nós somos o que comemos.

Alguns filósofos já falaram sobre os alimentos e o que comemos. No século 18, o gastrônomo francês Brillat-Savarin começou a refletir sobre o tema com muitas aproximações filosóficas e antropológicas, relacionando a culinária e a gastronomia com estas duas ciências humanas. Contudo, uma conversa filosófica sobre a alimentação, a gastronomia e sobre os próprios alimentos nem sempre é encarada do mesmo modo que debates filosóficos sobre política ou economia. Mas a verdade é que pensar sobre o que comemos e o motivo que nos faz escolher tais alimentos é importante não apenas no campo teórico, mas no nosso cotidiano.

Aristóteles considerava que a visão e a audição são os nossos sentidos mais nobres, e renegava os outros a serem sentidos de segunda categoria, de menor valor. Agora, o que vemos através da gastronomia e da nutrição é quase uma reivindicação do paladar e da própria experiencia olfativa ligados a discussões relevantes para a vida humana.

Somos hoje uma civilização que considera o seu humano separado do seu meio, vivendo em grandes centros urbanos em sua maioria, longe dos meios de produção agrícola, que tende cada vez mais à automatização. Com isso, temos estado desconexos da natureza, da terra e da importância que estes produtos têm para nós, para nossa sobrevivência, para nossa saúde e alimentação. A consciência ecológica e todos os problemas já percebidos como resultado das alterações climáticas têm servido para promover um despertar em uma sociedade que se achava evoluída e totalmente independente e superior ao seu meio material e natural.

Somos humanos, e desta forma, comer para nós é mais do que apenas obter os macro-nutrientes necessários para estar vivo, é vivenciar toda a experiência do paladar, do olfato, do preparo, do cultivo e da conexão que temos com o meio ambiente e o planeta.

Imagem de capa: Adrienn no Pexels

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