O CEREBELO – “Pequeno Cérebro”

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Do latim “pequeno cérebro”–  O cerebelo é responsável pela coordenação das atividades dos músculos esqueléticos, do tato, visão e audição, em “nível inconsciente”, a partir de informações recebidas. Indivíduos com lesão no cerebelo exibem fraqueza e perda do tônus muscular, assim como movimentos descoordenados.

Suas atividades estão relacionadas com o equilíbrio e postura corporal, trabalha em conexão com o córtex cerebral e o tronco encefálico.

O Cerebelo atua na aprendizagem motora do ser humano, isto significa, que quando executamos uma mesma atividade motora várias vezes, ela passa a ser feita de maneira cada vez mais rápida e com menos erros.

Essa estrutura, foi desde sempre classificada, como o responsável pela coordenação motora, mas em estudos recentes, têm-lhe sido atribuídas também funções cognitivas.  O estudos neuroanatomicos vêm confirmar as novas descobertas relativas à conectividade do cerebelo com áreas associativas do córtex cerebral, envolvendo-o em funções cognitivas superiores.

O “pequeno cérebro” é a parte mais interior e posterior de todo o encéfalo. Ele tem a aparência enrugada do cérebro, por esta característica é  chamado de “árvore da vida”, suas reentrâncias e saliências são mais finas e organizadas em padrões mais regulares. Ele compõe 10% do volume do cérebro, porém guarda metade da quantidade de neurônios existentes em toda a estutura cerebral.

As principais partes anatômicas do cerebelo incluem o vêrmis, longo e afinado no centro, dois lobos flóculos-nodulares abaixo, cada um dividido em diversos lóbulos. Os dois lóbulos laterais lembram os dois hemisférios do cérebro e às vezes são chamados de “hemisférios cerebelares”. A principal função do cerebelo é a coordenação dos movimentos corporais por meio do controle integrado dos músculos, incluindo equilíbrio e postura.

Por isso, é tamb´me conhecido como “motorista do cérebro. Ele analisa permanentemente a posição do corpo, pois nele estão localizados neurônios responsáveis pelo equilíbrio (o seu córtex comporta três camadas de células, sendo a mediana composta por células de Purkinje que fazem sinapses com o conjunto de núcleos profundos do cerebelo). Através da sua conexão com o encéfalo através dos pedúnculos cerebelares, o cerebelo modula os movimentos voluntários iniciados pelo córtex cerebral.

NOVAS DESCOBERTAS DAS FUNÇÕES CEREBELARES

As novas descobertas, sobre as atribuições funcionais relacionadas ao cerebelo, após estudos de neuroimagem funcional. Os aspectos neuroanatômicos, foram  mapeados, encontrando assim, as prováveis regiões relacionadas a afeto e cognição, com impacto sobre a fisiopatologia da dislexia, da esquizofrenia, do autismo, do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), das depressões e de outros distúrbios.

AS NEUROIMAGENS REVELARAM A PARTICIPAÇÃO DO CEREBELO EM NOVAS ATIVIDADES

Até pouco tempo atrás, o cerebelo era associado exclusivamente às funções motoras, a coordenação do movimento e o aprendizado motor, como já menionado. Porém com as técnicas atuais de neuroimagens, doenças relacionadas ao comprometimento do raciocínio, como distúrbios de linguagem e da cronometria do pensamento, são atribuídas também ao cerebelo. No momento atual, a neuroimagem torna evidente a existência de um circuito central cerebelar envolvendo o córtex cerebral, cerebelo, tálamo e tronco encefálico. A área pré-frontal sofre influência direta da atividade cerebelar; o sistema límbico recebe fibras cerebelares, os córtices associativos também, justificando alguns dos sintomas presentes em doenças como esquizofrenias, dislexias, autismo, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e afasias. O ponto de vista topográfico revela com clareza que, além das funções motoras reconhecidamente atribuídas ao lobo anterior e verme (formando um verdadeiro homúnculo motor), também as funções relacionadas ao afeto são parte do verme inferior; as funções cognitivas são atribuídas aos hemisférios cerebelares (lobo posterior).  Nos quadros depressivos, como depressão maior, depressão bipolar do humor e depressões com episódios maníacos e/ou depressivos, exames de ressonância magnética funcional (RMF) e tomografia por emissão de pósitrons (PET) notaram evidências da hipoatividade cerebelar, insular, frontal e temporal. O tratamento antidepressivo inclui a recuperação da atividade destas áreas. O cerebelo possui capacidade de regular o humor por sua atividade sobre os núcleos da base; o controle emocional é realizado pelo cerebelo através de suas influências sobre o córtex pré-frontal e hipotálamo.

CEREBELO UMA ESTRUTURA IMPORTANTE PARA A SAÚDE INTEGRAL

Numa descrição mais conservadora, o cerebelo, é descrito apenas, como o coordenador da função motora. Porém,  foi redefinido durante as últimas décadas, onde o seu papel tem ganhado mais atenção na modulação do processamento cognitivo e emocional. A partir de estudos de neuroimagens, fez-se descorbertas recentes da participação do cerebelo em funções antes impensadas. Os mecanismos através dos quais o cerebelo exerce suas diversas funções  são ainda pouco explorados e compreendidos. Necessitamos acompanhar os estudos desta estrutura, que a cada momento se revela de maior participação no funcionamento de cérebro, que apenas o controle motor. Temos já,  a confirmação da participação do cerebelo no sistema de recompensa do cérebro, na regulação do humor e controle emocional. Portanto, as diferentes modalidades de exames de neuroimagem têm fornecido informações muito relevantes para o avanço do conhecimento das interações entre essa estrutura e o melhor funcionamento e comportamento humano de forma mais equilibrada e saudável.

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