Planejamento pessoal: encontrando o caminho para o sucesso

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A ideia de renovação que vem com o ano novo traz comumente esperança e, com ela, o impulso de planejar dias melhores para o ano vindouro. Tendemos a avaliar o ano que se foi e desejar que com ele desapareça tudo o que não conseguimos realizar. Surge um novo horizonte à frente e ganhamos uma nova chance de recomeçar.

O problema é que na maioria das vezes desperdiçamos essa nova oportunidade com promessas vazias, sonhos irreais e objetivos desconexos.

Quem é um pouco mais organizado reescreve longas listas de desejos, na expectativa de realizar durante o ano alguns desses objetivos, muitos dos quais se repetem ano após ano sem resolução. Eu sempre fui desse tipo e, embora tenha tido algum sucesso nos meus planejamentos anuais, sentia que era mais uma questão de sorte que de disciplina.

E foi assim até aprender que o segredo do sucesso pessoal estava no planejamento estratégico. Até então, eu nunca tinha sentido o efeito cumulativo das pequenas vitórias e a satisfação pessoal de me sentir verdadeiramente responsável pelo meu futuro. Hoje, sou diferente. Descobri como planejar adequadamente e monitorar minha evolução em prol dos propósitos traçados. Minha taxa de sucesso, no que consigo fazer de um ano para outro, foi subindo até mais de 80%. A cada ano, meus planejamentos vão ficando melhores e mais fáceis.

Com o aval dessa experiência posso afirmar que, para um bom planejamento pessoal, é indispensável colocar na mesma rota de direção sonhos, objetivos, metas e tarefas, exatamente nessa ordem de concretude.

Os SONHOS são idealizações do que desejamos, mas, deve-se tomar cuidado, pois, muitas vezes, representam apenas desejos infantis que vêm a nossa cabeça de forma automática ou para agradar outras pessoas. Nesse sentido, é indispensável refletir sobre o que se quer efetivamente para si, perguntando-se “por que isso é importante?” Certifique-se sempre que seus sonhos são seus realmente, para não perder tempo e energia.

Assim como os sonhos, os OBJETIVOS ficam no campo da abstração, porém, são um pouco menos genéricos porque surgem como projetos concretos. Por exemplo, se o sonho fosse “viajar”, o objetivo seria “viajar para Europa”.

Esses sonhos (desejos) e objetivos (projetos) são apenas ideias, mas, devem ser os primeiros elementos a serem identificados ao montar um planejamento anual, por serem os condutores das ações efetivas que tomaremos durante o ano, a nosso favor.

Tais ações podem ser desenvolvidas mediante a definição de METAS, elemento equivalente às estratégias que irão se concretizando com a ajuda de TAREFAS (passos). Metas e tarefas devem ser definidas usando a metodologia “SMART”, acrônimo criado pelo “pai da gestão”, Peter Drucker, para indicar a primeira letra (em inglês) das cinco palavras que definem as características essenciais de um bom planejamento, quais sejam: especificas, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e temporizáveis.

Diferentemente do Sonho, que é genérico (tipo: “ser rico”), a meta tem que ser específica, como por exemplo: “quero ter “X” quantia no fim do ano.” Note-se que, para que a meta seja clara e prática, neste caso, há que se responder previamente o “que é ser rico?”, pois, estamos diante de um conceito subjetivo (o que é ser rico para uma pessoa, pode não o ser para outra) e, sem saber o próprio significado de “rico”, não seria possível estabelecer metas concretas.

Além da especificidade acima tratada, metas e tarefas devem levar em conta a realidade do sujeito, sob pena de não se tornar alcançável. Por exemplo, a meta “guardar 50% das receitas do mês”, provavelmente não permitiria pagar as contas do dia a dia e terminaria sabotando o planejamento, portanto, não seria alcançável. Pergunte-se sempre se você está pronto para a meta e se terá tempo de colocá-la em prática. Se já começar duvidando, descarte essa meta e pense em outra mais adequada a seu momento atual.

Para serem relevantes, metas e tarefas precisam guardar coerência e propósito com o objetivo pretendido, sob pena de não terem efeito prático e causar frustração. Da mesma forma, se não permitirem o acompanhamento periódico, por partes, impedirão a flexibilidade necessária para fazer adaptações e podem ser abandonadas antecipadamente. Daí a importância de serem mesuráveis e terem um tempo definido para conclusão (temporizáveis).

Estas regras podem ser aplicadas a qualquer tipo de planejamento, na esfera pessoal ou profissional, e são amplamente usadas na gestão de negócios, finanças e na psicologia, por isso, é provável que você já tenha ouvido falar delas. Mas, para entender melhor o método, vejamos um exemplo de como entrelaçar sonhos, objetivos, metas e tarefas, num planejamento pessoal anual:SONHO: Ser saudável.

Objetivo 1: Manter uma boa alimentação.

Meta a) Usar menos sal.

Tarefa i) primeiro mês, reduzir o sal de mesa pela metade;

Tarefa ii) segundo mês, eliminar totalmente o sal de mesa;

Meta b) Comer mais frutas.

Tarefa i) primeiro mês, incorporar uma fruta no almoço;

Tarefa ii) segundo mês, comer duas porções de frutas no dia;

Objetivo 2: Praticar atividade física.

Meta a) Matricular-se numa academia de ginástica.

Tarefa i) nos primeiros 15 dias, encontrar a academia;

Tarefa ii) no primeiro mês, contratar um Personal Training;

Meta b) Treinar 3 vezes por semana.

Tarefa i) 1 treino aeróbico por semana;

Tarefa ii) 2 treinos de musculação por semana.

É bem simples: basicamente, para cada SONHO há que se definir os OBJETIVOS (1, 2, etc.) e, estes, devem ser divididos em METAS (a, b, etc.) que, por sua vez, devem ser desdobradas em TAREFAS (i, ii, etc.), repetindo-se a operação a cada sonho. Todas as tarefas precisam ter prazo e, cada período (semanal, mensal ou anual), ser acompanhado, fazendo-se as avaliações e os ajustes necessários. Se o planejamento não for estratégico, pode sucumbir à primeira surpresa da vida.

Ao planejar seu ano, afaste as crenças limitantes, do tipo “nunca vou ser rico porque nasci pobre”, “não posso viajar porque não tenho dinheiro”, “não posso fazer faculdade porque estou velho”, “não posso fazer atividade física porque estou doente”, etc. Tenha pensamento positivo e não foque no que deu errado no ano anterior. Abra as portas para coisas novas ou para as novas formas de fazer velhas coisas. Lembre-se que, se você faz sempre o mesmo, o resultado será sempre igual, portanto, entenda o que não funcionou anteriormente e mude agora.

Para conseguir ter sucesso no planejamento, você precisa: i) estar motivado com seus sonhos, para poder mudar o que não deu certo até agora, ii) ter foco nos objetivos, para não se desviar deles, iii) ter disciplina e persistência, para tirar as metas do papel; iv) ter paciência e força de vontade, para que as tarefas se tornem ações concretas. Se algum destes elementos faltar, ou, se sentir que algo está se perdendo no caminho, procure ajuda numa psicoterapia.

Seu panejamento anual precisa ficar num lugar visível, para não sair das prioridades e ser monitorado regularmente. Esteja sempre pronto para corrigir os rumos, de acordo com a situação do momento, e seja gentil e resiliente com você quando algo não funcionar como esperado. Nunca desista, reprograme-se.

Um bom planejamento estratégico ajudará você a controlar a ansiedade, aumentará sua autoconfiança, melhorará sua inteligência emocional e lhe dará uma excelente sensação de comando e protagonismo da própria vida. Ajuste seu planejamento anual rumo ao sucesso. Ainda dá tempo, o ano 2021 só está começando.

Boa sorte!

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