Psiquiatra, psicólogo ou psicanalista?

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O preconceito social com o termo saúde mental está inculcado em nós. A modernidade parece nos obrigar a esconder como somos afetados com a vida acelerada e competitiva. 

A ideia comum de doença mental nos remete a fraqueza, por isso a escondemos. A escondemos, até de nós mesmos. 

Nos enganamos com generalizações (“tudo o mundo se sente deprimido de vez em quando”) e com condescendência (“vai passar, é só uma fase”). Nos automedicamos, “todas as informações estão na internet e ninguém precisa saber que não estamos aguentando”.

Mas, pensar assim nos faz mal. Ocultar o problema, só faz ele crescer. Não o tratar adequadamente o faz se deslocar e aparecer muito tempo depois, como somatização (doenças físicas) ou em comportamentos que nos causam transtornos de convívio social. 

Assim como o corpo exige cuidados, nossa mente exige atenção. Alguma vez já se perguntou por que motivo tratamos diferente a doença física da doença mental? 

Quando surge um mal-estar físico recorremos naturalmente ao médico. A doença física é tratada como algo externo, alheio ao controle do doente; parece “perdoável”. E mais, diante de seus sintomas, sabemos a que especialista recorrer. 

Porém, quando o mal-estar é psíquico, parece haver implicitamente uma culpa do doente, como se ele mesmo o tivesse provocado. Se alguém está deprimido, o primeiro que pensa é “não aguentei”. A culpa é instintivamente escondida e a vergonha o impede de buscar socorro imediato. Para o senso comum, “psiquiatra, psicólogo e psicanalista são coisas de malucos”.

A verdade é que existe pouca informação pública sobre quais são as dores psíquicas, como e com quem as tratar. Há preconceito e temor com o diagnóstico e o tratamento. Não existe conhecimento geral sobre o que é efetivamente uma doença psíquica, seus fatores genéticos, seus sintomas e os tipos de especialistas aptos a cuidar de cada uma. 

Aliás, a dificuldade de identificação e tratamento é ainda maior quando os sintomas parecem leves. 

Desconfortos constantes, raiva, desanimo, tristeza e estresse parecem coisas inevitáveis da vida, com as quais há que se conformar ou que podem ser controladas com um “remedinho” até que passem. Mas, será que vão passar? Qual o limite para o desconforto se transformar num ataque de pânico ou numa depressão profunda? 

Por que diante de uma febre ou uma dor de barriga constantes procuramos um médico e diante da ansiedade exagerada não fazemos nada? Por que interpretamos a febre e a dor de barriga como um alerta do nosso corpo, mas, ignoramos os gritos da nossa mente quando a ansiedade se manifesta? Se for por não saber por onde começar, você tem que entender quem pode ajudar. 

Existem, basicamente, três tipos de especialistas: o psiquiatra, o psicólogo e o psicanalista. Em breves linhas, diferenciam-se pelo seguinte.

O PSIQUIATRA é médico de carreira, focado na investigação e tratamento de doenças mentais e transtornos químicos e físicos que ocorrem no cérebro. É o especialista ideal para tratar doenças mentais graves, como esquizofrenia, paranoia, transtorno bipolar, psicopatias, demências, etc. É o único dos três que está apto, técnica e legalmente, a trabalhar com psicofármacos; solicitar e interpretar exames (de imagem, físicos e laboratoriais); bem como, medicar o paciente, controlando a dosagem da medicação.

O PSICOLOGO é um profissional de carreira, sem vinculação médica, especializado em comportamento e funções mentais e cognitivas. Quando dedicado à psicologia clínica, utiliza métodos investigativos, terapêuticos e aconselhamento. É o profissional indicado para resolver problemas de comportamento, em um curto espaço de tempo.

O PSICANALISTA, sem vinculação médica ou psicológica, é o especialista no método terapêutico criado por Freud, que trabalha, através da fala e de outras técnicas psicanalíticas, os registros do inconsciente, os sonhos, os traumas de infância e as repetições ao longo da vida. Seu objetivo é encontrar a origem dos conflitos internos, para aliviar o sofrimento e permitir a compreensão das próprias escolhas, comportamentos, relacionamentos e desejos. É o especialista indicado para buscar o autoconhecimento e tratar os incômodos que geram situações de conflito constante.

Dependendo do caso clínico, o sofrimento psíquico pode, e deve, ser tratado de forma multidisciplinar por esses especialistas. Por isso, assim como você observa previamente o sintoma físico para saber o especialista médico que procurar, você deve avaliar qual é o desconforto psíquico que precisa tratar. Faça isso livre de preconceitos. Cuide-se! Sem saúde mental, não há saúde física. Sem uma mente sã, seu potencial está limitado. 

Minha recomendação: se você sente algo que afeta gravemente sua vida ou coloca em perigo você e as pessoas de sua convivência, busque um psiquiatra. Se você tem um problema concreto de comportamento ou função mental que exija uma ação específica, busque um psicólogo. Se você só está perdido, ou sente as dores de ser quem é de viver como vive, procure um PSICANALISTA. 

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