QUAL A IMPORTÂNCIA DA IGREJA NOS DIAS DE HOJE?

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A palavra igreja tem duas origens, uma é a hebraica, da palavra Qahal, que significa reunião de pessoas, outra é grega, da palavra Ekklesia, que significa assembleia, reunião. É próprio do ser humano a busca do transcendente, e muitos o fazem também por meio da religião, pois na vivência religiosa se dá o encontro com Deus e com pessoas que também estão nesta mesma busca. Mas não significa que os que buscam a vivência coletiva deste mistério são melhores e mais evoluídas que as que não buscam, significa simplesmente que a pessoa, dentro de seu conjunto de valores, vê a vivência da fé em uma perspectiva social como um meio eficaz de saída de si mesmo para construir um projeto que visa o bem do próximo, mirando em primeiro lugar este encontro com Deus.

Igreja não se trata de um templo físico, mas sim de pessoas que estão reunidas em nome de algo maior, que fala de sua identidade e de seu sentimento de pertença. Igreja é o povo fiel que, uma vez batizado, é inserido no mistério de Cristo e o segue em uma perspectiva comunitária, visando a transformação desta realidade presente. Por definição histórica, a denominação cristã mais antiga existente é a católica. Encontramos esta definição pela primeira vez nos escritos apostólicos de santo Inácio de Antioquia, e por católica se entende universal, pois sua mensagem é para todos os homens.

A Igreja sempre passou por dificuldades e por meio delas se fortaleceu, definiu seu credo de modo consistente, refletido filosófica e teologicamente. Sofreu também perseguições e injustiças, mas sempre procurou responder o chamado de sua essência, que é ser Sacramento de Salvação no mundo, uma vez que anuncia Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida. A mesma sempre teve sensibilidade para com os sofrimentos da humanidade, criando instituições que tem por objetivo o resgate da dignidade da pessoa, muitas vezes alimentando, dando estudo, conforto para o corpo, esperança para a alma. Graças à igreja temos universidades, hospitais, escolas, creches, asilos, visando a opção preferencial pelos pobres e mais necessitados.

Como não recordar a abnegação de tantos religiosos e religiosas que em todos os tempos deram testemunho de entrega e de amor à vida, em verdadeiro anonimato? E aqueles que foram reconhecidos, embora nunca buscaram para si a fama? Como não se encantar com uma Dulce dos Pobres, uma Teresa de Calcutá, um Vicente de Paulo ou um Pedro Nolasco? E como não se sentir desafiado no amor vendo o exemplo de tão grandes santos que brilharam por este amor desinteressado pelo próximo mais sofrido?

A Igreja é mãe misericordiosa que busca aliviar os sofrimentos da humanidade por meio de suas ações sociais, mas a Igreja em sua essência não é ONG, mas sim uma reunião de pessoas que agem deste este olhar para Cristo, e busca no mundo reproduzir seus gestos, anunciando Jesus e seu evangelho, denunciando as estruturas de injustiça e a cultura de morte, curando os doentes, alimentando os famintos, perdoando as feridas que carregamos dos pecados. A Igreja não tem seu sentido em si mesma, mas sim no Cristo que ela anuncia, buscando a fidelidade na doutrina.

É fato que a mesma Igreja também foi alvo de equívocos, por parte de seus próprios filhos, e muitos por se distanciarem do evangelho, também infligiu grandes sofrimentos a outros seres humanos. Mas não houve nenhuma instituição humana no mundo que pediu desculpas publicamente por seus equívocos, como notamos no jubileu do ano 2000, na pessoa de São João Paulo II, então papa da época, que pediu perdão pelos erros cometidos por esta milenar instituição. Mas certamente, mesmo quando errou, esta mesma Igreja estava tentando acertar, ser fiel à sua mensagem, estava amando. E não se pode dizer que foi a Igreja enquanto um todo a responsável por tantas injustiças, mas algumas pessoas que, infelizmente, por seu poder de influência, provocou sofrimentos inclusive a esta mesma instituição que as acolheu em seu seio.

A Igreja é santa, pois Cristo é sua cabeça, mas é pecadora, pois em seu interior abriga filhos feridos pelo pecado. Mas o pecado de seus filhos não é impedimento para que ela mesma brilhe como testemunho profético desta santidade de Deus. Quase sempre quando se fala em Igreja, sempre se enfatiza o negativo: as inquisições do passado, os escândalos de hoje, os contra testemunhos de alguns católicos… Mas ninguém aponta seus acertos, seus gestos de caridade, sua busca de diálogo com outras religiões, inclusive não cristãs. No Concílio Vaticano II a igreja despertou para a necessidade de dialogar com outras culturas religiosas, visando promover a dignidade humana. A mesma igreja que se equivocou no passado com os judeus também tentou por todos os meios salvar-lhes a vida em tempos de nazismo, sem fazer nenhum proselitismo mas antes respeitando a dignidade sagrada de cada pessoa.

No decreto Unitatis Redintegratio, de 21 de novembro de 1964, por ocasião do concílio Vaticano II, São Paulo VI, então papa deste período e canonizado pelo Papa Francisco em nossos dias, afirma que a Igreja se empenha pelo diálogo ecumênico, o que não significa forçar uma conversão, mas respeitar a religião do outro com suas diferenças, tendo em vista a Unidade em Cristo que todas as denominações buscam. A Igreja respeita e valoriza aquilo que é sagrado para cada religião, ainda que ela mesma não siga algumas crenças e valores de outras religiões.

Neste caso, é preciso diferenciar o que a Igreja entende por diálogo ecumênico e diálogo inter-religioso. Por diálogo ecumênico se compreende todo o esforço em dialogar com denominações cristãs não católicas, mas que creem em Jesus Cristo, no caso, as religiões de tradição protestante. Por sua vez, o diálogo inter-religioso diz respeito a esta aproximação respeitosa da igreja católica com as denominações não cristãs, como forma de compreender e promover uma cultura de paz e respeito. Aqui podemos citar como exemplo os judeus, muçulmanos, budistas, hinduístas, etc.

A importância da Igreja em todos os tempos sempre foi e será a missão de promover a unidade, tão necessária em nossos dias e ao mesmo tempo tão agredida por discórdias e injustiças. Não é correto compreender unidade enquanto a obrigação de todas as pessoas aderirem ao cristianismo, de modo especial ao catolicismo, pois neste caso, cairíamos no erro do proselitismo. A Igreja apresenta o Evangelho de Jesus Cristo, age no mundo por meio da atração a este encontro com Cristo, pois a conversão cristã, muito antes de uma adesão ética e moral, é antes encontro com a Pessoa do Senhor que traz o real significado de nosso viver e agir. Podemos dizer que somos mais de Cristo quando amamos a Igreja e buscamos dentro dela promover a Unidade, por meio de uma cultura de paz, que abrace de preferência aos mais excluídos e marginalizados.

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